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11 Artistas / 33 Monumentos / 4 Festividades

Osmar Gonçalves Macedo



Osmar Gonçalves de Macedo, nascido em Picuí PB, mora em João Pessoa PB há 30 anos, é Escultor em Madeira e Artista Plástico. Abre o Chaveiro (local de trabalho) de 08hrs a 06hrs da noite, enquanto trabalha em algumas esculturas, espera o movimento dos clientes, de segunda ao meio dia do sábado. Trabalhando no mesmo local há mais de 25 anos..

“ Em entrevista sou meio ruim, sou bom em escultura”, responde Osmar Macedo, um homem de grande habilidade e gentil em suas palavras.

“ Trabalho com madeiras há muito tempo, tem as madeiras certas de esculpir/talhar, nem todas servem”.

A arte da Escultura tem acompanhando a evolução da sociedade, com os primeiros passos de nossa busca incessante do ser humano, de expressar das mais diversas e curiosas formas a força do pensamento. Existe uma variedade de ferramentas, matéria-prima e extensões/ramificações da escultura. Osmar é escultor em madeira e artística plástico. Nos concedeu seu tempo e atenção, explicando gentilmente seu trabalho, falando das particulares dos materiais, ferramentas e técnicas, além de nos presentear com um resumo, o surgimento de sua trajetória como escultor. A seguir Osmar nos explica os tipos de madeiras mais comuns que ainda tem a oportunidade de talhar, devido a sua cada vez mais dificuldade de acesso.

“ A Uburana, por exemplo, ela é uma madeira macia, é da Caatinga, que hoje infelizmente tá em extinção, porque desmatou bastante p fazer desinpoladeira, p fazer até pau de cerca, de porteira, da p fazer tudo né, tamborete, cadeira, porta, esses negócios eles faziam, que tinha bastante, hoje já mais difícil. Daí tem o Cedro, o Cedro tá em extinção, a maioria das madeira tá em extinção, o Cedro é, é muito bom de trabalhar, um bom acabamento, mas também se a pessoa n tiver cuidado, na hora de trabalhar, tem que trabalhar com o ‘pé na fibra’ , pra não danificar né, mas é muito bom trabalhar também.” “ A Jaqueira, tem muito nó, que tem que acompanhar a fibra dela também, que é uma madeira de fruta, tem bastante, pode podar e as madeiras que eu trabalho mais é essas, aí tem madeira de demolição, como Jatobá, madeiras antigas, essas outras é mais do Pará, do Pará é mais demolição né, as madeiras do Pará, mas também muito duras.” “ Aí também trabalhei no Pau-Brasil, duro pra caramba, hoje está extinção, pode nem arrancar nada, o Pau Brasil não nem sonhar em arrancar, mas eles usavam muito em fazer aquelas pecinhas de tocar violino.” “ O Pau Brasil, aí como a madeira tá a maioria em extinção, a gente vamos trabalhando com o que tem, usando vários tipo de madeira, de demolição principalmente, a pessoa ainda pode encontrar, e as outras quando tem é muito cara e sempre pensando no futuro, porque daqui p frente ninguém sabe como vai ficar. Vamos trabalhar em madeira industrial, na vida é assim mesmo, vamos continuar trabalhando e vivendo tempos melhores p natureza.”

"A escultura, grosso modo, é a arte de transformar matéria bruta (pedra, metal, madeira etc.) em formas espaciais com significado. Quando dizemos “formas espaciais”, queremos dizer formas em terceira dimensão, isto é, com volume, altura e profundidade. Das artes plásticas, a escultura é uma das que mais estabelecem interação com o grande público. Isso porque, geralmente, elas são pensadas e produzidas com a finalidade de ocupar espaços públicos. É assim, por exemplo, com os conjuntos esculturais gregos e romanos; mas também com as esculturas produzidas na época do Renascimento ou em culturas de religiões tradicionais, como o budismo e o hinduísmo." Veja mais sobre "Escultura" em:
https://brasilescola.uol.com.br/artes/escultura.htm


Em contato com Osmar, fiquei curioso pelo trabalho feito em um pedaço de madeira de Pau-Brasil, ao qual contou o relato de como conseguiu, de uma arvore de Pau-Brasil derrubada por tempestade em sua região. Aproveitando e nos explicando um pouco do que sabia, sobre a história da árvore no Brasil.

“ O Pau Brasil é explorando desde o descobrimento do Brasil, ele era cobiçado pela sua tinta vermelha e pela madeira que era de primeira, que era muito resistente. Daí eles tirava e levava p Europa, p tingir as roupas da rainha, pra esse pessoal da Corte né, p esse pessoal que tinha muito dinheiro né. Aí como eu trabalho em Esculturas em varias madeira, eu sempre fui louco por uma poda. Aqui em João Pessoa, Pau Brasil tem uma Mata Atlântica, mas claro que é proibido, hoje em dia é proibido qualquer madeira. Aí eu sempre andei atrás de uma poda, encomendava aqui, o pessoal que tinha, mas dizia que era difícil, que era difícil podar. Teve uma vez no inverno aqui, deu uma tempestade de vento e chuva, derrubou um pé muito grande que tinha no lado da universidade. Eu caminhando por lá, vi ele derrubado né, pessoal já tinha levado quase tudo, aí tinha uns tocos ainda, de 1,20mts por 0,70mts , 0,80mts de circunferência, tamanho de um barril, assim ou maior, mais alto, da grossura. Ai eu trouxe pensando que era vermelho assim como derruba, ou como se tira logo né, mas aquele é tinta que escorre, assim deixa que a madeira fica branca. Mas muito bom de esculpir, pegar acabamento bom, enquanto ele tá verdinho ou maduro, mas depois que seca fica duro de esculpir, aí só vai mesmo a lixadeira, é muito complicado né. Aí eu fiz umas esculturas aqui. É bom de fazer tábua de carne, fazer tigelas de madeira, aí eu fiz uma escultura, uma iluminaria ficou muito bonita. Tenho o restante ali, eu vou da mais uma trabalhada nele, mas não em esculturas, mas em outros serviços né, como base e tigelas, mas vai ficar show.”



Abaixo Osmar fala do inicio de sua carreira como Escultor em Madeira, explicando sua ida ao Rio de Janeiro em 1983 e como conheceu a arte da Escultura em Madeira.

“Fui morar no Rio de Janeiro em 1983 e em 1984 eu tive contato com a Escultura. Um vizinho meu, chamado João Cruz, morava em frente ao quarto que eu morava no Rio, aí ele fazia esculturas. Aí nessa época, eu desenhava na parada de metrô, trabalhava em Hotéis, era Hoteleiro, o dinheiro que ganhava comprava de tintas, comprava telas, aí ia pintar né, pintava camiseta, pintava quadro, aí o João, esse escultor que morava em frente a mim, um Cearense, aí ele disse q como eu pintava, desenhava, era fácil de esculpir, aí eu via muito ele esculpindo daí eu desenhava p ele, ele esculpia os quadros, aí mandava eu lixar, aí eu fui aprendendo com ele ne, com o tempo né, aí foi muito fácil de eu pegar a pegar a pratica, eu já era desenhista, já fazia varias outras coisas né, de ripe, habilidade manual né, aí eu sei q foi passando o tempo eu vim embora do rio ele ficou por lá, em final de 1984, aí trabalhei vim p minha cidade em Picuí, mas só desenhava, não peguei em escultura não, tinha muita vontade de esculpir, mas n tinha ferramenta, não tinha madeira ideal, não me interessava, mas falta de interesse também, não chegou o momento né, aí vim morar em João Pessoa PB em 1996, 12 anos depois, aí trabalhava como Protético e Chaveiro, aí tinha um ‘Pé de Jambu’ na frente do meu chaveiro, ai eu disse, rapaz, eu já tinha ferramenta, tinha já o formão, tinha trabalhando em chave, usando pra botar fechadura essas coisas né, um Jambu mais ou menos de 1mts, tamanho de um barril né, barril de carregar agua em burro né. Eu disse fazer uma escultura aqui, já desenhava né, aí fiz um Cristo, aí do outro lado já fiz um barco, aí fiz um tote aí fico lindo pra caramba, aí esse primeiro que eu fiz, 12 anos depois, foi q eu fui fazer pegar numa escultura 12 anos depois q eu sai do rio, aí desde 1996 pra cá não parei não viu, virou vicio.”

Nessa parte da entrevista, Osmar fala especialmente do seu trabalho, da descoberta como Escultor e de como tem atuado em sua cidade João Pessoa PB.

“ Eu sou artista plástico desde criança, sou escultor há 40 anos, mas só vim descobrir mesmo que eu era artista, em 2017, quando comecei a participar de feiras de artesanatos, teve aqui o 27° Salão de Artesanato da Paraíba, aí tirei minha carteirinha de artesão, participei desde salão, q foi um mês, todo ano tem, tem 2 vezes durante o ano, tem em Janeiro aqui em João Pessoa e em Junho, em Campinha Grande, são 500 estandes, muito bom, um espetáculo de feira, aí participei da primeira, aí tomei gosto mesmo, que eu vinha fazendo peças, eu dava, vinha guardando em caixas, não tinha nem ateliê ainda, tinha ponto lá em embaixo mas não colocava, ai foi ai que criei o ateliê, peguei as peças que estavam na caixa, aí botei num salão q tenho lá embaixo, na casa da família, casa de mãe. Mãe que mora aqui em cima, aqui nessa casa, faz mais de 25 anos, aí botou lá embaixo, aí me organizei, ficou bem organizadinho, aí temo chaveiro, que trabalho como chaveiro ali do lado, e o ateliê. Mas não trabalho com nada de serra. Motosserra utilizo as vezes só pra tirar o excesso, p igualar a peça, mas trabalho mesmo é com o formão, com estilete, faquinha, serra na mão mesmo, lixadeira uso muito pouco, porque eu faço mais tote, aí não tem como trabalhar com essas ferramentas elétricas, e também eu aprendi a trabalhar na mão mesmo e lixa aí tudo, e as peças as vezes não da pra usar maquinha.
Pra vender, eu uso as redes sociais como o Instgram e o Face, e o conhecimento, que é na Avenida principal, que o conhecimento do povo também, que eu participo do salão a 5,6 anos. E agora meu filho vai fazer um aplicativo, que eu não entendo bem, fazer um aplicativo pra vender pelo Iashe, aí vai ficar bem melhor né, aí vai expandir os produtos, conhecimento, e outra coisas.
Eu não gosto de pegar encomendas, porque o meu trabalho é trabalho único né e encomendas é fazer replicas aí n vou fazer um santo, que a pessoa manda, um negócio ou outro, pra postar e dizer que é meu, uma obra, aí não da certo, porque o artista vai aparecer e ver q é uma replica né. Eu não pego muita encomenda não, eu vendo muito os q tenho, aí vou fazendo os santos do meu jeito, as corujas, minhas peças de natureza, tote, e de tudo eu faço um pouquinho, carrancas, lagartas, cobras, najas, pássaros, de tudo eu faço um pouco, casas, é em geral, arte sacra, arte barroca, de tudo em arte eu to junto.”


Osmar explica as ferramentas que utiliza no seu processo criativo. Sempre frisando que prefere ferramentas manuais a as automáticas.




“ Falar um pouco de ferramentas, toda ferramenta de entalhe, de fazer entalhe, de fazer escultura, que são a mesma, são perigosas, tanto manuais quanto elétrica, a manual a pessoal tá fazendo, se não tiver cuidado, pode sofre um corte, ao segurar um estilete, uma faca, já uma motosserra, uma ‘makita’ que o pessoal usa muito, são mais perigosa ainda né, mas eu não entendo muito de ferramentas de corte não, porque eu não trabalho com esse tipo de coisa não, de elétrico, eu trabalho mais manual que é em tote, quem trabalha em tábua, faz serviço de marcenaria essas coisas, que usa serras né, de bancada, não uso nem ‘makita’, não sei nem pra onde vai, esse já é trabalho de marceneiro, trabalho maior, trabalho diferente, que faz móvel, tabua de carne esses negócios, já eu mesmo é mais com manual, uso até machadinha, uso serra manual, uso formão, uso faquinha, estilete uso bastante, e bastante lixa, p da acabamento perfeito na peça, começando a usar a grossa, que é pra tirar o mais grosso, aí vai até a fininha, aí depois graxa de sábado, não se usa verniz em esculturas, porque verniz tem validade, só dura um ano, um ano em pouco, e a graxa sendo bem passada, ele fica pra sempre, não precisa de tá passando outro produto em cima não.”



ENTREVISTA REALIZADA NO INTERVALO DE MES DE 06 DE 2024 POR J.A

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O Projeto Solarengo, é um projeto voltado aos artista de modo geral, garantido a todos aqueles que são formadores de Cultura, o direito de serem vistos e reconhecidos por todos como Artistas.

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