65 : FRANCISCA MONTE : LALÁ
Lalá começou no artesanato em 2020, aprendendo por conta própria, assistindo vídeos na internet. Desde então, produz peças variadas como biquínis, croppeds, jogos de cozinha e jogos americanos. Apesar da dedicação, ela explica que o crochê não garante o sustento.
“A renda não é só do crochê. Eu faço, vendo, mas não é direto. O meu trabalho mesmo é com comida.”
Durante a semana, ela costuma ficar na frente de casa, esperando clientes, enquanto produz suas peças. Ainda assim, a realidade do artesanato na região é desafiadora.
“Pra nós aqui, o artesanato não tem muito valor. O povo não dá muito valor ao trabalho da gente.”
Segundo Lalá, a dificuldade de venda é constante, até mesmo em feiras locais. Ela participa de eventos organizados na região, mas conta que raramente consegue vender de forma direta.
“É difícil vender nas feiras. Só quando alguém faz encomenda. Pra viver de crochê aqui, não tem como, a não ser por encomenda.”
Outro ponto que ela destaca é a falta de valorização do produto local. Muitas vezes, peças semelhantes são compradas fora sem questionamento de preço, enquanto o trabalho artesanal da própria comunidade é desvalorizado.
“Crochê não é barato. Mas o povo sai pra fora, compra e nem questiona o valor.”
Por isso, Lalá opta por investir mais na cozinha, onde encontra uma renda mais constante. Aos finais de semana, prepara pratos como mucunzá, feijoada, creme com arroz, lasanha e panqueca, além de lanches como bolos e tapioca.
Apesar da rotina intensa, ela ainda concilia o trabalho com uma grande responsabilidade: desde o ano 2000, cuida de uma senhora de 100 anos e de seu filho, o que limita sua participação em eventos fora da comunidade.
Mesmo diante das dificuldades, Lalá segue firme, guiada pela fé.
“O Senhor é meu pastor e nada me faltará. Nunca desistir daquilo que eu quero.”
Para ela, o reconhecimento do artesanato local ainda é um desafio.
“A arte e a cultura deveriam valorizar mais o trabalho da gente, não deixar a cultura morrer.